Meu barco de pesca

FANFIC BULLET DO MUCALOL VS KEIO

2020.07.06 17:03 MinDofSci3nCe FANFIC BULLET DO MUCALOL VS KEIO

*Juntamente com meu amigo de infância Danyel, havíamos planejado uma viagem de norte a sul do país, pois desde crianças tínhamos o sonho de conhecer o litoral brasileiro. Ocorre que em um fatídico momento, e para o nosso azar, o mundo encontrou-se entrou em um estado de crise no qual ficamos estarrecidos com nossa viagem frustrada, pois devido ao grande risco de contágio de uma doença que instaurou-se pelo mundo, fomos impedidos de ancorar de novo em terra firme. Após 10 dias presos dentro do barco, a luta pela sobrevivência ficou cada vez mais acirrada. Recursos como água e comida estavam ficando escassos, pois tudo que nos cercava era um grande mar de água salgada, e não chovia a dias. Quando acabou a comida, foram improvisadas redes de pescas e nos alimentamos daquilo que o mar tinha a nos oferecer. Em meio a toda esta luta, conheci a pessoa que mudou completamente a minha vida. Seu nome era Mayumi, de características físicas ocidentais, provavelmente japonesa. Quanto mais se passavam os dias, nossa relação ficava mais forte e ali começava uma nova história em minha vida, bem como o fim de uma outra. O que não era de meu conhecimento, é que Mayumi era o grande amor não declarado da vida de Danyel e que envolvido por ciúmes, pegou uma faca e me atacou. Na tentativa de me defender, empurrei Danyel que caiu do barco e foi comido por um tubarão. Apesar de lamentar por dias a grande perda que tive de meu amigo, tive a oportunidade de construir uma nova história com Mayumi. Porém na vida nem tudo são flores. Com o fim da pandemia e podendo voltar para terra firme, descobri que secretamente Mayumi tinha um caso com Henrique, estudante de medicina e que tinha hobbies por jogos eletrônicos, voltando cada um a sua vida rotineira porém o mundo nunca mais voltou a ser o mesmo. *


Menções honrosas ao 2 gênios que escreveram essa merda em uma call no discord, COPIEI MESMO FDS
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2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
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Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
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Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
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2019.11.25 20:32 jvcscasio Vila inicial de Albor

Trago-lhes a primeira cidade do meu mundo Homebrew chamado Parabellum. Um mundo situado em Marte, após a humanidade perecer e um mundo fantástico surgir no seu lugar.
O diferencial desse mundo é ele ter seus 300 anos de idade, o que diminui a importancia de inexistentes heróis do passado e faz dos personagens dos jogadores os Heróis do Passado que eles poderão encontrar em futuras campanhas.
Esse texto foi originalmente escrito em inglês e traduzido pro português depois, agradeço quem notar inconsistencias no texto.
Mas acima de tudo espero que gostem dessa pequena vila de elfos e loxodontes.

Albor

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Visão

Pequenas casas de madeira por um longo rio de águas claras formam a vila de Albor. Uma paliçada feita de carvalho protege metade da cidade, pois os elfos ainda precisam adquirir carvalho suficiente para completar suas defesas.

História

Um grupo de jovens loxodontes deixou a floresta Cerberus há 40 anos e se juntou a um grupo de high elves deixando a cidade de Granicus, que cresceu muito para eles. Ambas as populações se viram saindo de suas casas e se consideravam iguais, unindo-se em pouco tempo.

Sociedade

Os high elves e os loxodontes se respeitam e dividem o trabalho realizado na aldeia. A maioria dos loxodontes toma guarda e protege os habitantes dos monstros do rio e dos prados, enquanto outros trabalham em barcos e construção.
Enquanto isso, os elfos trabalham na agricultura e na pesca, com alguns deles tomando gosto pela construção naval.
A vila se considera parte da comunidade Granicus e as pessoas da vila são sempre bem-vindas na cidade.

Pessoas importantes

Bigfoot é um veterano de loxodonte que lidera a guarda da cidade. Seu grupo é composto por 5 guardas de loxodonte. Ele é muito calmo e apoia aqueles que considera fracos e indefesos.
Jäger era um elfo caçador há muitos anos, mas devido à vila se formar perto de seu local de caça, ele acabou se mudando para cá e logo se viu criando gado.
Landwirt é um elfo agricultor que é considerado por seus colegas como o mais experiente em agricultura. Embora suas técnicas sejam primitivas, ele já entendeu que precisavam rotacionar as lavouras para evitar a diminuição da produtividade.
Verkäufer é um elfo comerciante que lida com pessoas vindas de Granicus para comprar carne e couro, ele administra o único mercado da cidade e pode vender qualquer coisa comestível e potável, e alguns equipamentos, desde que não sejam metálicos.

Lugares importantes

O mercado de Abspeichern é o único lugar em que os personagens podem comprar qualquer coisa nesta vila. O proprietário é um high elf chamado Verkäufer que gosta de ouvir histórias de seus clientes.
Bienenzucht não é tanto uma fazenda de abelhas quanto uma coleção de árvores que abrigam ninhos de abelhas, de onde o high elf chamado Imker obtém mel. Ele então vende o mel para Verkäufer, que revende para todo mundo.
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2019.08.10 10:45 jwachowski Amar é preciso, viver não é preciso

No rádio tocava Corcovado — Tom Jobim e de dentro do barco realmente dava para ver o Cristo cada vez mais longe lá em cima do Pão de Açúcar. A mulher se abanava numa cadeira de praia enquanto o marido orgulhoso guiava o velho barco alugado, olhando para frente como se fosse Ulisses avistando Ítaca ao longe.
— Armando? Pra onde tamo indo? Não tá ficando muito longe da praia não? — Perguntou Lilian.
— Só mais um pouco. Eu quero ver o que tem depois do horizonte.
— Affss… Eu quero chegar em casa há tempo de ver o restante da minha série. Aqui nem sinal de celular pega.
— Mas essa era a intenção… — Armando resmungou baixinho suspirando logo em seguida.
— Disse alguma coisa?
— Não, nada não.
— Será que tem pelo menos banheiro aqui? — Lilian perguntou
— Tem sim. Tem até uma cozinha na cabine. Olha na caixa térmica, eu trouxe vinho e tainha pra gente tirar um gosto.
— Não sei se vou conseguir comer. Estou ficando enjoada com esse vai e vem.
O mar calmo nos primeiros momentos da viagem guiava aquele barco que um dia já fora novo como os primeiros raios da manhã. Quantas crianças já foram alimentadas com a pesca daquela embarcação? Quantas alegrias, pores do sol e tempestades já enfrentara? Com a concorrência das grandes empresas pesqueiras os pequenos barcos que sobraram apenas serviam para passeio com turistas ou quando muita sorte tinha poderiam parar em algum museu e se tornar personagem de algum conto de pescador.
Lilian voltou do banheiro e sentou novamente na cadeira de praia. Se enterrou com cara apática na tela do celular vendo fotos e paginas salvas no cache off line do navegador enquanto o silencio de um tempo indefinido era preenchido pelo motor do barco.
— Olha, Lilian! Dois golfinhos passando! — Armando gritou mas ela com o fone de ouvido não ouviu.
— Ahm? O que?
— Passou.
— Passou o que?
— Lilian, pelo amor de deus LAR-GA esse celular um pouco. — Armando se aproximou da cadeira por trás e pegou o celular da mãe dela.
— Me devolve meu celular!
— Então aproveita minha companhia pelo menos uma vez na vida.
— Não quero aproveitar nada não. Não queria nem ter vindo. Quando você falou que ia fazer uma surpresa romântica, não pensei que você fosse alugar um barco velho caindo aos pedaços.
— Velha caindo aos pedaços tá a sua mãe que não deixa a gente em paz um segundo.
— Não fala da minha mãe não tá?
— Que não fala o que? Velha linguaruda se mete em tudo, ah que merda!
— Vai pra merda você! — Lilian disse isso e no mesmo instante viu o celular voando pelo ar mergulhando no oceano azul e imenso. — Eu não acredito que você jogou meu celular no mar, Armando! Seu viado!! Agora cadê minhas fotos?
— As fotos tão nas nuvens. Depois você compra outro celular.
— Quero ir pra casa.
Há muito sem eles perceberem o tempo já tinha fechado no horizonte. O céu escurecia e o mar revolto balançava o barco cada vez mais forte. Um bom pescador vê a chuva há quilômetros de distância. Quando se vê relâmpagos ao longe, bem antes mesmo do primeiro trovão alcançar os ouvidos, o bom pescador recolhe suas redes e volta para terra firme. Porque não vemos também os relâmpagos que cortam nossa vida? Silenciosamente a maré vai subindo, subindo até uma hora que não se pode mais lutar contra a violência das águas e as ondas que fazem o barco descer e subir como se fosse de pape se tornam normais. Não vemos um palmo mais na frente do nariz. Parece uma sinuca, um labirinto sem fim. Nos embriagamos de raiva e de ilusões de que o tempo vai mudar de uma hora para outra.
— Armando, o tempo tá fechando. Bota esse troço pra voltar logo.
— Tô tentando mas não tô conseguindo controlar mais o mastro. — Nesse mesmo instante o motor do barco para, deixado no ar apenas o som do mar cada vez mais revolto e ávido.
— Não acredito nisso, Armando! O que a gente faz agora?
— Coloca o salva vidas que eu vou ver se o rádio tá pegando.
— Mayday, mayday, mayday! — Dizia Armando no rádio que emitia apenas um chiado. — Alerta de tempestade alerta de tempestade! Precisamos de ajuda! Mayday, mayday, mayday!
O barco bateu numa grande pedra e derrubou Lilian e Armando no chão da embarcação. A água começou a entrar pelo fundo igual ao Titanic mas a diferença é aquele barco já não tinha nenhum bote salva vidas que ainda pudesse ser aproveitado. Tantos anos de tempestade e sol vai desgastando qualquer material. Tudo nessa vida precisa de manutenção. E não vão vocês achando que existem culpados. Tudo tem um fim e ao mesmo tempo todos e ninguém tem culpa disso. Nem as pirâmides do Egito vão durar para sempre quem dirá um barquinho a vapor sem manutenção a tantos anos. Às vezes é melhor aposentar o veículo antes de precisar pular do barco às pressas.
— A gente vai ter que pular na água. — Disse Armando quando a água invadiu a cabine onde eles estavam.
— Eu não quero morrer. — Disse Lilian chorando.
— Calma. A gente não vai morrer. Ainda temos muito que viver. — Disse isso e abraçou a esposa.
Na ponta do barco, primeiro pulou Lilian e logo em seguida Armando. Se segurando em um pedaço de madeira que se desprendeu do barco os dois boiavam com a ajuda dos salva vidas infláveis. Viam de longe o barco afundar devagarinho como se acenasse dizendo foi bom o tempo aqui na superfície mas agora preciso descansar. O mar se acalmava à medida que engolia a pequena embarcação a vapor. Quando a proa do barco finalmente desapareceu da vista dos dois, ouviram um helicóptero se aproximando com o cesto salva vidas pendurado.
O barco descansa tranquilamente no fundo do oceano esperando o dia em que o mar vai virar deserto para contar por aí que foi bom ter vivido. Foi bom ver o sol, o vento e os pés gelados nas minhas costas à noite. Não guarda raiva de quem não cuidou de ti. Não guardo raiva, só guardo as lembranças. As boas e as ruins e tudo que aprendi. E se não for por isso que estamos aqui eu já não sei mais de nada. E quem disser que não valeu a pena navegar todos esses anos nesse mar imprevisível e infinito que é viver está mentindo. Viver é incerto, é como o mar a noite e isso é a magia meu irmão! Respirar cada dia querendo navegar mais. Sim, é preciso. Alugue outro barco se for preciso e devolva apenas no final da vida se assim desejar, só não deixe de navegar. Viva tudo que tiver de viver. E termine tudo, resolva tudo. Não deixe nada subentendido, não deixe nada pela metade. Também não deixe de amar. Amar é preciso, viver não é preciso. O amor é a lei, amor sob vontade.
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2019.08.10 10:45 jwachowski Amar é preciso, viver não é preciso

No rádio tocava Corcovado — Tom Jobim e de dentro do barco realmente dava para ver o Cristo cada vez mais longe lá em cima do Pão de Açúcar. A mulher se abanava numa cadeira de praia enquanto o marido orgulhoso guiava o velho barco alugado, olhando para frente como se fosse Ulisses avistando Ítaca ao longe.
— Armando? Pra onde tamo indo? Não tá ficando muito longe da praia não? — Perguntou Lilian.
— Só mais um pouco. Eu quero ver o que tem depois do horizonte.
— Affss… Eu quero chegar em casa há tempo de ver o restante da minha série. Aqui nem sinal de celular pega.
— Mas essa era a intenção… — Armando resmungou baixinho suspirando logo em seguida.
— Disse alguma coisa?
— Não, nada não.
— Será que tem pelo menos banheiro aqui? — Lilian perguntou
— Tem sim. Tem até uma cozinha na cabine. Olha na caixa térmica, eu trouxe vinho e tainha pra gente tirar um gosto.
— Não sei se vou conseguir comer. Estou ficando enjoada com esse vai e vem.
O mar calmo nos primeiros momentos da viagem guiava aquele barco que um dia já fora novo como os primeiros raios da manhã. Quantas crianças já foram alimentadas com a pesca daquela embarcação? Quantas alegrias, pores do sol e tempestades já enfrentara? Com a concorrência das grandes empresas pesqueiras os pequenos barcos que sobraram apenas serviam para passeio com turistas ou quando muita sorte tinha poderiam parar em algum museu e se tornar personagem de algum conto de pescador.
Lilian voltou do banheiro e sentou novamente na cadeira de praia. Se enterrou com cara apática na tela do celular vendo fotos e paginas salvas no cache off line do navegador enquanto o silencio de um tempo indefinido era preenchido pelo motor do barco.
— Olha, Lilian! Dois golfinhos passando! — Armando gritou mas ela com o fone de ouvido não ouviu.
— Ahm? O que?
— Passou.
— Passou o que?
— Lilian, pelo amor de deus LAR-GA esse celular um pouco. — Armando se aproximou da cadeira por trás e pegou o celular da mãe dela.
— Me devolve meu celular!
— Então aproveita minha companhia pelo menos uma vez na vida.
— Não quero aproveitar nada não. Não queria nem ter vindo. Quando você falou que ia fazer uma surpresa romântica, não pensei que você fosse alugar um barco velho caindo aos pedaços.
— Velha caindo aos pedaços tá a sua mãe que não deixa a gente em paz um segundo.
— Não fala da minha mãe não tá?
— Que não fala o que? Velha linguaruda se mete em tudo, ah que merda!
— Vai pra merda você! — Lilian disse isso e no mesmo instante viu o celular voando pelo ar mergulhando no oceano azul e imenso. — Eu não acredito que você jogou meu celular no mar, Armando! Seu viado!! Agora cadê minhas fotos?
— As fotos tão nas nuvens. Depois você compra outro celular.
— Quero ir pra casa.
Há muito sem eles perceberem o tempo já tinha fechado no horizonte. O céu escurecia e o mar revolto balançava o barco cada vez mais forte. Um bom pescador vê a chuva há quilômetros de distância. Quando se vê relâmpagos ao longe, bem antes mesmo do primeiro trovão alcançar os ouvidos, o bom pescador recolhe suas redes e volta para terra firme. Porque não vemos também os relâmpagos que cortam nossa vida? Silenciosamente a maré vai subindo, subindo até uma hora que não se pode mais lutar contra a violência das águas e as ondas que fazem o barco descer e subir como se fosse de pape se tornam normais. Não vemos um palmo mais na frente do nariz. Parece uma sinuca, um labirinto sem fim. Nos embriagamos de raiva e de ilusões de que o tempo vai mudar de uma hora para outra.
— Armando, o tempo tá fechando. Bota esse troço pra voltar logo.
— Tô tentando mas não tô conseguindo controlar mais o mastro. — Nesse mesmo instante o motor do barco para, deixado no ar apenas o som do mar cada vez mais revolto e ávido.
— Não acredito nisso, Armando! O que a gente faz agora?
— Coloca o salva vidas que eu vou ver se o rádio tá pegando.
— Mayday, mayday, mayday! — Dizia Armando no rádio que emitia apenas um chiado. — Alerta de tempestade alerta de tempestade! Precisamos de ajuda! Mayday, mayday, mayday!
O barco bateu numa grande pedra e derrubou Lilian e Armando no chão da embarcação. A água começou a entrar pelo fundo igual ao Titanic mas a diferença é aquele barco já não tinha nenhum bote salva vidas que ainda pudesse ser aproveitado. Tantos anos de tempestade e sol vai desgastando qualquer material. Tudo nessa vida precisa de manutenção. E não vão vocês achando que existem culpados. Tudo tem um fim e ao mesmo tempo todos e ninguém tem culpa disso. Nem as pirâmides do Egito vão durar para sempre quem dirá um barquinho a vapor sem manutenção a tantos anos. Às vezes é melhor aposentar o veículo antes de precisar pular do barco às pressas.
— A gente vai ter que pular na água. — Disse Armando quando a água invadiu a cabine onde eles estavam.
— Eu não quero morrer. — Disse Lilian chorando.
— Calma. A gente não vai morrer. Ainda temos muito que viver. — Disse isso e abraçou a esposa.
Na ponta do barco, primeiro pulou Lilian e logo em seguida Armando. Se segurando em um pedaço de madeira que se desprendeu do barco os dois boiavam com a ajuda dos salva vidas infláveis. Viam de longe o barco afundar devagarinho como se acenasse dizendo foi bom o tempo aqui na superfície mas agora preciso descansar. O mar se acalmava à medida que engolia a pequena embarcação a vapor. Quando a proa do barco finalmente desapareceu da vista dos dois, ouviram um helicóptero se aproximando com o cesto salva vidas pendurado.
O barco descansa tranquilamente no fundo do oceano esperando o dia em que o mar vai virar deserto para contar por aí que foi bom ter vivido. Foi bom ver o sol, o vento e os pés gelados nas minhas costas à noite. Não guarda raiva de quem não cuidou de ti. Não guardo raiva, só guardo as lembranças. As boas e as ruins e tudo que aprendi. E se não for por isso que estamos aqui eu já não sei mais de nada. E quem disser que não valeu a pena navegar todos esses anos nesse mar imprevisível e infinito que é viver está mentindo. Viver é incerto, é como o mar a noite e isso é a magia meu irmão! Respirar cada dia querendo navegar mais. Sim, é preciso. Alugue outro barco se for preciso e devolva apenas no final da vida se assim desejar, só não deixe de navegar. Viva tudo que tiver de viver. E termine tudo, resolva tudo. Não deixe nada subentendido, não deixe nada pela metade. Também não deixe de amar. Amar é preciso, viver não é preciso. O amor é a lei, amor sob vontade.
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2017.09.24 12:06 DeepNavyBlue Sou do tempo que peixe era comida de pobre. Hoje eu ganho só fotos =(

A casa da nossa família sempre teve caixas de camarão e peixes a vontade. Eu devo ter comido mais camarão do que qualquer bilionário deste país. E claro, peixes de todos os tipos. Teve uma época das nossas vidas que as festas em família eram camarões, lagostas e lagostins. As lagostinhas sapateiras e os camarões pitu vinham em sacos.
Sempre tivemos pescadores na família. Este ano meu sobrinho me enviou somente a foto, pois pegaram pouco, somente 7 toneladas e o camarão ainda está num preço muito baixo de R$47,00 o quilo. Ano passado com o camarão a R$97,00 ainda ganhei uma caixinha.
IHMO. As mídias sempre apoiam os pescadores, suas greves e suas reivindicações, mas no meu ponto de vista eles estão errados, onde antes se pegava 27 toneladas de camarão por viagem(detalhe no freezer do barco só cabe 24t) hoje se pega 7t. Quando se fala em pescador, logo se pensa no artesanal e esquecem do industrial que colheu pode décadas de forma irregular sem nunca plantar nada. Nada mais justo do que tirar do ministério da agricultura para o ministério da indústria.
Estes peixes que os pescadores pegam são raros hoje em dia, eles amarravam as linhas nos barcos enquanto puxavam as redes e assim pegavam peixes aleatórios, grandes e bonitos. Com esta ideia encheram de barcos de espinhel e limparam o mar. O da imagem acho que veio na rede mesmo e não na linha como antigamente.
Existem também muitas falcatruas na pesca, como por exemplo, o dono do barco nem sabe o que é um barco, mas vai lá e faz sua carteira de mestre, ganhando assim a maior parte da pesca sem ao menos ter ido, apenas enviando seu substituto.
Vou ver se meu sobrinho faz um AMA pra gente qualquer hora, eles tem net no barco e enquanto a rede fica na água eu acho que eles ficam meio folgados. A gente vê muito de pesca apenas na Discovery e Natgeo. Nada melhor que um cara daqui pra dar umas palavrinhas.
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